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Tem gente acreditando que eu perdi meu amor na balada?

Muita gente vai se morder de raiva se isso for mesmo uma jogada de marketing, pois muitos sensíveis ficaram 'sensibilizados' com essa atitude, que, de tão incrível, parece ser uma mentira, então, veja essa matéria que o site Comunicadores fez.

Segue:

Pois é, isso tudo não parece fazer muito sentido, né? Calma, eu não estou me referindo apenas ao título deste post. Digo que nem tudo está muito claro pois você – assim como eu – não está compreendendo muito bem esse negócio todo do “Perdi Meu Amor Na Balada“. Um webhit nacional que tem sido abordado e interpretado de diferentes maneiras por sua audiência. Afinal, a opinião que tenho sobre esta fantástica jogada publicitária pode não ser condizente com a sua ou, muito menos, com a da “incrível audiência” que insiste em acreditar que o viral é – de fato – proveniente da situação de um rapaz que, infelizmente, perdeu o número do telefone da bendita Fernanda.

Bem rapidinho, vamos recapitular a breve “história de amor” que envolve o personagem “Daniel Alcantara” em uma incansável e apaixonante busca pelo amor de sua vida, a “Fernanda“. O vídeo é auto-explicativo e, apesar da tentativa de parecer amador, você consegue entender tudo sem que o rapaz gagueje ou que algum tipo de ruído acabe por atrapalhar sua infeliz situação.

Antes de prosseguir, gostaria que você respondesse duas perguntas: Você trabalha com publicidade? Você acredita neste viral? Pois é. Se a sua primeira resposta foi “não”, talvez você tenha respondido “sim” para o segundo questionamento. Mas não tem problema algum. A marca que produziu este vídeo – que já tem mais de 600 mil views – ainda não se revelou para o público. Logo, a ideia deste post é apenas explicar e mostrar alguns fatos que evidenciam um trabalho profissional por trás deste viral que já engajou e continua a contaminar um grande público.

Além da perseguida personagem ”Fernanda” ter o quinto nome mais comum do Brasil, ela também é detentora de uma descrição um tanto quanto padrão em nossa terrinha. O que pode auxiliar no engajamento da audiência ao replicar a romântica atitude/vídeo de Daniel.

O mais brilhante deste viral foi a conquista imediata de um público muito carente de demonstrações de afeto e solidariedade, que imediatamente se engajou em replicar o “desesperado” e “romântico” pedido deDaniel. Apesar do objetivo deste vídeo ainda não ter sido esclarecido, muitas hipóteses surgiram, algumas delas sugerindo o webhit como uma possível ação da balada “Casa 92“. Também desconfiaram de um site de relacionamento chamado “Segunda Chance“, pois, um dos primeiros comentários no vídeo era uma propaganda do site. Porém, em um artigo que defendia esta possibilidade, o criador do site de relacionamento manifestou-se alegando que o vídeo não era de sua autoria, e que teria feito o comentário por haver enxergado uma oportunidade de vender seu negócio.

Confesso que este tema não tem tirado meu sono nem me feito distribuir cliques pela internet atrás de respostas. Mas uma coisa desta ação me deixou inquieto, e não, não foram as inúmeras possibilidades de marcas que os internautas semearam como as “possíveis responsáveis” pelo viral. O que me chocou foi a enorme audiência que se mobilizou e – de fato – acreditou na surreal situação do personagem. Espero simplificar a digestão desta ação de marketing evidenciando uma prática básica. Como o simples fato de que a fan page da causa – que a esta altura já deve ter arrecadado mais de 80 mil likes – ter sido divulgada (para o Brasil inteiro) em anúncios no Facebook que, demandariam um $uper investimento e, claro, um grande estudo da audiência que a marca desejaria atingir. 

Mas calma, você ainda prefere insistir na ideia de que, Daniel, rapaz que anotou o telefone da Fernanda em um pedaço de papel e acabou perdendo-o, decidiu investir e lançar uma super campanha de marketing para resgatar o amor de sua vida – detalhe – no Brasil inteiro? Bom, então vamos seguir mostrando um pouquinho mais da ação.

O viral teve continuidade em um segundo vídeo, onde o rapaz disse ter seguido uma dica da internet que o levou até a possível Fernanda. Porém, em uma situação – literalmente – bem sem graça e com uma atuação abaixo da feita no primeiro vídeo da ação, o viral teve a sua primeira “queda“. O vídeo arrecadou até agora, pouco mais de 70 mil views e, felizmente, já provocou uma certa desconfiança de alguns internautas. 

Pois é. Antes de concluir este post, eu gostaria muito que você – novamente – respondesse a duas perguntas: você leu este post até aqui? Você continua a acreditar nesta dramática situação de Daniel ou já sacou que tudo isso é um viral?

Apesar de não ter acreditado na situação logo no primeiro play, a ação já tem um certo mérito pelo ótimo índice de engajamento que conseguiu conquistar de uma audiência que, infelizmente, não deve me incluir. O viral merece ser parabenizado pelo simples fato de que se compararmos esta ação com as inúmeras outras práticas de marcas que ainda insistem em piadinhas do tipo “para a nossa alegria“, achando que a isso se resume a Social Media, teremos um ótimo exemplo de que a criatividade não está mais sendo sinônimo de apropriação de meme’s e afins. A “busca de Daniel” foi e continua sendo notícia em inúmeros veículos e blogs – como este que você esta lendo agora – o que potencializa a viralização da ação e, consequentemente, gera um super buzz. E claro, não podemos esquecer do importante papel das “Fernanda’s” e dos “românticos” que continuam a replicar o vídeo e a enviar dicas para o Daniel, como se tudo isso fosse uma grande verdade. Bem, tudo isso deve fazer com que o “cliente” e os “publicitários” por trás desta jogada on-line estejam dando pulos de alegria a cada novo share, view ou like! Será que você contribuiu para a alegria deles? Mesmo sendo um troll e replicando o vídeo em outro contexto, é válido lembrar que um share é um share, ok?

Pois bem, agora é aguardar e assistir o desfecho desta delicada situação de marketing que, pode – ou não – frustrar toda uma audiência que se engajou pela causa do Daniel e não pelo possível e “nem tão incrível” lançamento de um ‘novo modelo de celular Y’. Afinal, mesmo que surpreenda, quem é que gosta de ser enganado?
João Alves

João Alves

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