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Série: Das marchinhas de carnaval ao enredo da Mangueira parte - 1

Como prometido, uma série de reportagem falando sobre o carnaval em Cuiabá, desde os tempos em que os blocos tradicionais animavam a festa, nos clubes da cidade, entre a década de 30 e 70, até o ano que 2013, em que Cuiabá virou samba enredo da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Neste post vamos falar como que o carnaval de antigamente.

Com muita alegria e disposição, os cuiabanos sempre fizeram questão de comemorar os carnavais nos clubes. Conhecida como Sociedade Dançante, para eles o carnaval era uma brincadeira diferente, denominada de estúpida ou até de mau gosto, mas nunca prejudicava ninguém e era sempre para a diversão. 

Os carnavais de rua, ou de salão, eram o mais realizados em Cuiabá, entre as décadas de 30 a 60, havia os Blocos Carnavalescos, ou também conhecidos como Cordões, feitos em clubes, como no Clube Democrático, Clube Saraus das Pérolas, Clube 7 de Setembro e muitos outros. Cada bairro tinha o seu bloco e realmente as pessoas participavam, de uma maneira ou de outra, alguns com funções específicas, como confeccionar as fantasias. 

Foto: Museu da Imagem e Som de Cuiabá

Os blocos de carnavais mais conhecidos na época de 30 e 40 eram: Bloco Sainha, Mensageiros do Amor, Bolas de Ouro e Boca Negra. Nos anos de 50 e 60 os bairros já participavam ativamente do carnaval, e se dividiam para montar os seus próprios blocos de carnavais. No bairro Baú existia o bloco Marinheiro; do Poção a Estrela Dalva reinava; a Estrela do Oriente era do bairro Araés e no bairro Dom Aquino o bloco se chamava Ocasa. 

Além de outros, tais como, Sempre Vivinha, Rojão da Mocidade e Coração da Mocidade. Entre os principais carnavalescos da época em Cuiabá, se destacavam Zé Maria, Seu Nhozinho, Dona Juventina, Tereza e Seu Guercinho, o Dandí e Ailton. 

Os blocos, ou cordões, se destacavam com um mesmo tema, que, em virtude da época que Cuiabá era bastante ligada a navegação fluvial, os temas tinham que ser relacionados à navegação, isso até a década de 50. 

Além dos pontos altos da festa, que eram quando se destacava a Majestosa Rainha, nome que dado à mulher que sobressaía entre tantas outras, a mais bela. Tal como Porta Bandeira, Guardiões, Príncipes, Princesas, Bailarinas e Borboletas. E um destaque importante nos carnavais daquela época era quando havia a ala dos índios, que utilizavam dos seus apitos para fazer mais barulho. 

Toda essa festa foi evoluindo e se transformando em algo maior, os carnavais não aconteciam somente em clubes, ou em um curto espaço da rua, começou a crescer tornando-se Escola de Samba. Em 1954, ainda no auge dos carnavais de blocos e cordões, o músico, Jacildo de Jesus, tentou criar uma Escola de Samba, mas sem muito sucesso. 

Foto: Museu da Imagem e Som de Cuiabá

Somente em 1967, mais de dez anos depois daquela primeira tentativa, a primeira Escola de samba que apareceu em Cuiabá foi a “Deixa Cair”, fundada pelo então jogador, Humberto Mendes de Oliveira, conhecido como Beto do INPS, chegou do Rio de Janeiro. Reuniões foram feitas no famoso Hotel Santa Rosa, para dar uma identidade à Escola de Samba recém-criada, com o João Balão, como um dos maiores incentivadores. Mais adiante surgiu a diretoria, com grandes personalidades da visão cuiabana, tal como, Wilson Diniz, Zappa Reynaldo Tocantins, Olyntho Neves Filho, Fernando Rondon, Genuíno Souza, Edmundo “Barriga” e o Carioca. 

Após muitos entraves, em relação aos desfiles ser sem máscaras e utilizando de prostitutas para completa o elenco, em 67, a Escola desceu a Avenida Getúlio Vargas, passarela do samba na época. A partir dessa data, os blocos se tornaram escolas de samba, remodelando assim, o carnaval em Cuiabá.
João Alves

João Alves

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