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Os galãs/heróis das novelas estão cada vez mais fracos

Há mais de quarenta anos, João Coragem (o personagem de Tarcísio Meira em “Irmãos Coragem”) encantava telespectadores com sua bravura e retidão de caráter. Fora que, montado em seu cavalo, exalava virilidade. Tudo bem que era um herói idealizado, e até um tanto quanto maniqueísta. Mas a máxima “não se fazem mais heróis como antigamente” é aplicável no caso das telenovelas.




A impressão que se tem é que cada vez mais as mulheres são o foco das tramas. E isso já tem um tempo. Não vou nem entrar no mérito das vilãs – adoradas pelo público. Tudo bem que são os vilões que geram o conflito nas histórias, que só se desenrolam por conta deles, não por causa do herói, da mocinha ou do casal romântico central. Mas os vilões – as vilãs, especificamente -, cada vez mais tomam o posto do casal romântico na preferência dos telespectadores.

Mas é possível separar quais novelistas criam melhor protagonistas masculinos daqueles que preferem centralizar suas histórias em personagens femininas. Alguns autores dosam bem essa preferência e conseguem criar ótimos protagonistas, tanto para homens quanto para mulheres – caso de Carlos Lombardi, Silvio de Abreu eWalter Negrão. Janete Clair também era assim.

Atualmente, grande parte dos novelistas cria tramas essencialmente femininas, em que as mulheres dominam a ação – Manoel Carlos, Gilberto Braga, Aguinaldo Silva, Glória Perez e João Emanuel Carneiro, por exemplo. O que poderia ser justificável ao se pensar que a maioria da audiência seja de público feminino. Mas isso não é verdade. Talvez, ainda hoje, as mulheres são as que externam com mais facilidade seu gosto por telenovelas.

Do time dos autores que escrevem (ou escreviam) bem para protagonistas masculinos, estão Dias Gomes (Tucão, Odorico Paraguaçu, João Gibão, Roque Santeiro), Lauro César Muniz (Sassá Mutema, Antônio Dias, Renato Villar, João Maciel, Tony Castellamare) e Benedito Ruy Barbosa (Bruno Mezenga, José Leôncio, Zé Inocêncio).

Tomemos as novelas atuais. As recém-estreadas “Pecada Mortal” (da Record) e “Joia Rara“ (a trama das seis da Globo), parecem dosar bem este quesito. Já a novela das sete, “Sangue Bom”, e a das nove, “Amor À Vida”, apresentam protagonistas masculinos fracos, que não passam de joguetes na mão de seus vilões ou pares românticos.

Bento (Marco Pigossi em “Sangue Bom”) é tão ”sangue bom” que não consegue enxergar o quanto está sendo ludibriado pela vilã Amora (Sophie Charlotte). Nos momentos finais da novela, Amora joga todas as cartas para se dar bem, ficar com seu amado e se livrar de seus inimigos, usando toda sorte de golpes baixos que fazem o herói da novela parecer um bobalhão de marca maior. Bento é maniqueísta e reto de caráter como os heróis de outrora. Mas um tanto quanto burro.

Já Bruno (Malvino Salvador em “Amor À Vida”), é um personagem que está ali mas não está! Sua personalidade fica anulada diante da namorada Paloma (Paolla Oliveira) – por sinal, uma mocinha igualmente fraca, mas a trama central se desenrola ao redor dela. Até o antagonista Ninho (Juliano Cazarré) tem mais carisma que Bruno – apesar de Ninho já ter trocado de personalidade umas três vezes para atender o roteiro estapafúrdio da novela. Também Paulinha (Klara Castanho), a filha adolescente do herói da novela das nove, já provou ser mais astuta e inteligente que ele.

Estes são tempos em que os heróis de nossos romances de televisão não passam de meros adereços para atender roteiros de dramas femininos, ou servirem de coadjuvantes para vilões cada vez mais carismáticos. Não são mais heróis, hoje eles não passam da pecha de “mocinhos”.

Drama feminino + vilão carismático + herói bobalhão = Seria esta alguma fórmula mágica para fidelizar a audiência cada vez mais capenga? Ou não se fazem mais novelas como antigamente?

FONTE: Blog do Nilson Xavier

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João Alves

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