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A Fé em sua plenitude, Padre Firmo

Um homem bem humorado, simples e feliz em sua escolha, disciplinador e catequizados, essas são as qualidades de um ser humano lembrando pela sua dedicação a todos que vinham em busca de cura de doenças, um exímio visionário de fé. As famílias mais tradicionais, seja da Capital ou do Interior conhecem e sabem o valor de se dedicar ao bem, a ajudar as pessoas pode meio de oração.


Firmo Duarte Pinto Filho faleceu no dia 09 de março de 2005, após uma insuficiência cardiorrespiratória, aos 77 anos. Deixou o seu legado de fé e os seus ex-alunos ficou marcado a sua gratidão pela sua disciplina.

Mas para entender como esse homem simples chegou a tal status, vamos conhecer as suas origem e criação, filho caçula do casal, Firmo Duarte Pinto, telegrafista, e de Maria Dimpina Lobo Duarte, professora, nasceu na cidade de Cáceres, no dia 16 de janeiro de 1928, mas quando tinha apenas três meses de idade, os seus pais mudaram para Cuiabá.

A sua infância e adolescência foi na região do Campo de Ourique, hoje o local tem o nome de Centro Geodésico da América do Sul. Até os anos de 1933 ele morava junto com a família na região dos Tachos/Meruri, um território indígena onde teve seu primeiro contato com os missionários salesianos.

Passou a sua vida escolar no Asilo Santa Rita, no Ginásio no Liceu S. Gonçalo e no Seminário Nossa Senhora da Conceição, até 1944. No ano seguinte foi para o noviciado em Campo Grande, Instituto S. Vicente. E em 1946 fez a sua primeira profissão religiosa na Congregação Salesiana, Sociedade de S. Francisco de Sales. Depois foi para Lorena, onde cursou filosofia. Em 1947 terminou os estudos de Filosofia e, no ano seguinte, iniciou seu período de Assistência. Em 1948-1949, foi assistente em Campo Grande, no Colégio D. Bosco; em 1950, foi assistente no Colégio Santa Teresa de Corumbá e encerrou seu tempo de assistência no colégio de Guiratinga, em 1951. Durante esse período, além de cuidar dos internos, sempre lecionou Língua Portuguesa.

Em 1952 inicia seus estudos de Teologia no Instituto Teológico da Lapa (SP). Ao final dos quatro anos de estudos teológicos, foi ordenado sacerdote por seu padrinho de batismo, o arcebispo D.Francisco de Aquino Corrêa, no dia 8 de dezembro de 1955, na Catedral da Sé Metropolitana de Cuiabá. Depois de sacerdote inicia um período de nove anos de trabalho em colégios, sempre na função de “Conselheiro Escolar”.

Em 1966, inicia outra fase de sua vida. É convidado a ser pároco da Catedral de Cuiabá. Nesse trabalho permaneceu por mais de dez anos. Atendendo aos desejos e determinações peremptórias de D. Orlando Chaves, executa o plano de demolir a velha catedral e edificar outra no mesmo local. Tarefa muito difícil, pois a demolição de uma igreja mais que ducentenária e de estilo barroco, com altares, estátuas e ornamentação em madeira e ouro, tudo regido por decretos e leis antigas, não foi uma execução tão simples.

Foi transferido para a cidade de Barra do Garças e lá permaneceu por oito anos. Foi pároco de 1974 a 1978, sendo substituído pelo P. Sebastião Teixeira, continuando, porém, como diretor da comunidade. Nessa referida cidade, iniciou a construção da igreja paroquial de Santo Antônio, concluída e solenemente inaugurada no Natal de 1982. Trabalhou muito ao lado do Pe. Sebastião Teixeira na instauração do movimento dos Cursilhos, movimento que o tornou muito querido e estimado por todos, de modo especial como palestrante e como mestre de orientação espiritual de casais. Por fim, foi o primeiro diretor do Colégio D Bosco de Barra do Garças. O próprio Pe. Firmo, no discurso de agradecimento pelo título de cidadão barra¬garcense, na Câmara Municipal, afirmou que o colégio era a concretização de um velho desejo dos salesianos expresso no tempo do inspetor Pe. Ernesto Carletti, na década de quarenta.

Ele permaneceu dois anos, de 1983 a 1984. A situação do colégio não era das melhores. Por tantos motivos e por tantas ideologias a questão de manter o Ginásio Pe. Carletti tornara-se desafiadora, principalmente, por depender da vontade política inspetorial. Acharam que não haveria mais lugar para o trabalho salesiano em educação formal e os internatos já não mais respondiam às expectativas segundo a maioria dos salesianos. Pe. Firmo tentou, mas teve que obedecer e, pressionado pelas circunstâncias, encerrou, em seu segundo ano de diretorado, o internato.

No ano seguinte passou-se também a escola para o Estado, por meio de um convênio com a Escola Maria Auxiliadora das irmãs salesianas. Também este fato apressou a presença salesiana na educação escolar em Alto Araguaia. Estes dois anos não devem ter sido fáceis para o Pe. Firmo que sempre foi entusiasmado com o trabalho salesiano em escola. Devem ter sido momentos de grande angústia ver que uma época se encerrava ali com o fechamento do internato e a indefinição do futuro da obra e a presença dos salesianos em Alto Araguaia.

Depois destes dois anos de trabalho na escola de Alto Araguaia, em janeiro dc 1985, Pe. Firmo foi transferido para a Paróquia S. Gonçalo do Porto, a primeira obra de nossa inspetoria. Praticamente retornou para a cidade natal, Cuiabá, onde já fora pároco da Catedral Metropolitana.

Teve posteriormente dois anos de maior sossego quando (1995 e1996), esteve presente em Cuiabá, porém como Reitor do Santuário de Maria Auxiliadora. Nestes dois anos praticamente preparou-se para a fase mais percebida e gloriosa de sua vida. Liderava as grandes concentrações de pessoas que faziam a Novena Perpétua de Nossa Senhora Auxiliadora. Durante a novena acontecia à bênção dos doentes, fato significativo, que atraía multidão (em Cuiabá e Poconé) tornando seu nome mais conhecido.

Além de reitor do Santuário, por seis anos, foi diretor da comunidade e do Colégio S. Gonçalo, precisamente de 1997 a 2002. Depois de 2002, dedicou-se somente ao atendimento dos fiéis que frequentavam o Santuário.

A última década de sua vida foi uma época de coroamento de toda a sua dedicação, do seu trabalho de evangelização, de devotamento e de entrega a uma causa, a causa da devoção a Nossa Senhora Auxiliadora.

Dedicado em sua caminhada pela fé ele quem iniciou o “Vinde e Vede”, onde acabou por falecer horas depois quando pregava alegre para aquela multidão fervorosa debaixo de 40 graus, no último dia do evento. Considerado como o maior encontro de orações da igreja católica no estado, o “Vinde e Vede”, tradicionalmente realizado no período de Carnaval, reuniu no estádio Governador José Fragelli, o Verdão, mais de 30 mil pessoas naquele ano.

Um momento interessante do vídeo conta a saga da demolição da antiga Catedral, com imagens, além de vários depoimentos sobre a luta do padre para angariar fundos para a construção da nova, que foi erguida no início dos anos 70. Isso inclusive lhe rendeu uma homenagem na pintura do mosaico da Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, onde tem o Cristo com muitos anjos em volta e aos pés de Jesus o desenho da Basílica, onde fez na porta um homem retratando o padre Firmo.

Constatou-se em seu tempo de vida em Cuiabá que o Pe. Firmo era uma pessoa extraordinária apesar de sua postura de extrema simplicidade. Curiosamente sua morte veio justamente indicar que essa constatação era uma realidade assumida na comunidade com simplicidade da parte dele e por parte também dos que com ele conviviam. Sabiam que ali estava uma pessoa que se construíra como presença e força moral além das outras e assim era visto por todos os fiéis que, às quartas-feiras, estavam presentes em suas celebrações e aceitavam suas orações e pedidos de bênçãos com muita confiança.

Confiança brotada do intercessor, da sua pessoa que assim se colocava perante tantos necessitados. Ao rever sua história sobressaem as etapas de sua vida em que algumas facetas foram sendo notadas como traços desejados e queridos por ele como diferenciais perante alunos, pais e fiéis. Da mesma forma a figura de sua personalidade assim se estruturou dentro da inspetoria. Ao repassar os tempos dessas etapas as faces da personalidade ou do perfil do Pe. Firmo mostram-se com mais facilidade. O tempo dispendido em diversas atividades auxiliou a consolidação dos traços marcantes da figura moral que sobressaiu nestes últimos tempos.

Cada etapa de sua vida permitiu que se desenhassem e cristalizassem seus propósitos de santificação salesiana sacerdotal. Conforme a atividade pastoral exercida, as qualidades do Pe. Firmo sobressaíam naturalmente e ao percorrer as mais diversas etapas de trabalho elas se mostravam.
João Alves

João Alves

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