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Profissionais que fingem trabalhar muito são tão bem avaliadas quanto os workaholics

Imagine uma firma com uma cultura "workaholic" e de alta performance. Espera-se que todos façam o que for preciso para atender ao cliente, com viagens sem aviso prévio e disponibilidade à noite e fins de semana. São coisas comuns em grandes empresas de contabilidade, direito, bancos de investimentos e consultorias.


Só que há um segredinho que ninguém diz: algumas das pessoas que supostamente trabalham 80 horas por semana, especialmente homens, podem estar só fingindo.

Foi o que descobriu Erin Reid, da Universidade de Boston. Ela publicou na "Organization Science" suas descobertas após ter acesso privilegiado a uma grande empresa de consultoria, onde entrevistou mais de cem pessoas. Teve acesso também às avaliações e a todo tipo de documento de recursos humanos.
"Quando o cliente precisa que eu esteja em um lugar, eu tenho que estar lá", explicou um dos consultores entrevistados. "Você sabe que seria muito difícil dizer 'não vou poder ir à reunião porque tenho que levar meu filho ao grupo de escoteiros'."

Alguns profissionais abraçam a cultura plenamente e dedicam muitas horas ao trabalho. Eles tendem a ter avaliação e carreira ótimas. Outros resistem abertamente, fazendo questão de horários mais leves ou exigindo menos deslocamentos; nas avaliações, são punidos.

O terceiro grupo é o mais interessante. No estudo de Reid, 31% dos homens e 11% das mulheres conquistaram uma carga mais moderada sem explicitamente solicitá-la.

Eles faziam esforço para trabalhar com clientes de sua área geográfica, para reduzir deslocamentos. Quando faltavam ao trabalho para ficar com filhos ou cônjuge, não alardeavam o fato. Em uma equipe em que vários membros tinham filhos pequenos, os integrantes combinaram um esquema para que uns cobrissem as faltas de outros.


Um gerente contou que programou vários horários de consultoria com uma empresa perto de casa. "Saía das reuniões às 17h e chegava em casa às 17h30", disse ele, que não informava isso a seus chefes. No fim de semana, ele mandava vários e-mails, causando boa impressão, mas sem gastar mais de duas horas com isso. Ele recebeu uma revisão ótima de performance e ganhou uma promoção.

O que é fascinante é que essas pessoas receberam avaliações tão positivas quanto seus colegas altamente dedicados. Para bons fingidores, a carga de trabalho mais leve não acarreta prejuízo real.
A situação lembra "Seinfeld", em que George Costanza guarda seu carro no estacionamento do trabalho e é promovido porque seu chefe, vendo o carro, pensa que ele chega mais cedo e fica até mais tarde que qualquer outra pessoa na empresa.

Uma segunda constatação é que mulheres têm muito mais tendência a pedir flexibilidade formalmente. Quem solicitava uma carga de trabalho reduzida –em sua maioria, mulheres– era prejudicado nas avaliações e promoções. Parece ser um caso de "é melhor pedir desculpas do que permissão".
O fato de consultores fingidores terem tido avaliações tão boas quanto os que realmente trabalharam 80 horas sugere que trabalhar muito pode ser só um jeito de mostrar serviço. O problema é que muitas empresas premiam as coisas erradas, recompensando mais a ilusão de esforço que a produção real.

FONTE: Uol / Folha 
João Alves

João Alves

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