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'Sense8' discute busca por identidade em trama no Netflix

Série criada pelos Wachowski, diretores de 'Matrix', estreia sexta-feira (5). Produção conta história de oito pessoas que dividem memórias e habilidades.

Ao longo de sua carreira, os irmãos Wachowski abordaram diversas vezes o tema de pessoas que não se sentem confortáveis em seus meios, ou até em suas próprias vidas. Na trilogia de “Matrix”, um grupo de humanos percebe que há algo de errado em sua realidade. Em “A Viagem” (2012), atores vivem diferentes personagens em épocas distintas procurando sua identidade. Na série “Sense8”, que estreia todos os 12 episódios de sua primeira temporada nesta sexta-feira (5), no Netflix, oito pessoas ao redor do mundo têm de se adaptar a uma nova vida em conjunto.

Isso porque a produção conta a história de oito indivíduos, os “sensate” do título, que passam a dividir consciência e habilidades do dia para noite. A mudança é tão repentina que os personagens, espalhados pelo mundo, obviamente não entendem o que está acontecendo - e muitas vezes o sentimento é compartilhado pelo espectador.

A produção, como tudo que já teve o envolvimento dos Wachowski, é ambiciosa, mas extremamente confusa. Os três primeiros episódios disponíveis para a imprensa não fazem esforços para explicar sua trama. Ao longo deles, o público sabe pouco mais que os protagonistas, perdidos entre aparentes alucinações e sentimentos inexplicáveis.


Tal característica talvez favoreça o formato de lançamento da série no serviço de conteúdo sob demanda. Com a temporada inteira disponível de uma só vez, o público pode maratonar durante o final de semana, favorecendo o interesse por uma série com uma narrativa intrincada.

O potencial para o restante da temporada é grande. Alguns dos personagens são infelizmente mal aproveitados no início da temporada, mas cada um apresenta uma história interessante com tom próprio, variando do drama à comédia e à ação.

Como não poderia deixar de ser em uma produção que discute a formação de identidade, a sexualidade é um tema importante à série. O representante mexicano do grupo principal, um ator canastrão chamado Lito, esconde do mundo sua homossexualidade - e forma um casal muito simpático com seu namorado secreto (surpreendentemente interpretado por um ator saído da novela adolescente “Rebelde”).


A personagem transexual Nomi recebe tons mais dramáticos, apesar de formar outro casal importante à série. Ela provavelmente é reflexo de Lana Wachowski, que também passou por uma mudança de sexo em 2012. Vivida pela atriz transexual Jamie Clayton, Nomi sofre com o preconceito dentro da própria comunidade LGBT e de sua mãe.

Se o começo confuso pode afugentar alguns espectadores mais impacientes, a promessa do encontro dos oito personagens principais - mesmo que no plano mental - pode servir como incentivo a quem gosta do trabalho dos Wachowskis. “Sense8” talvez não seja revolucionário como “Matrix” (1995), mas está longe ser problemático como o filme mais recente dos cineastas,“O Destino de Júpiter” (2015).

Os diretores têm sido acusados nos últimos tempos de tentarem enfiar ideias demais em filmes com muito pouco tempo para elucidar tantos conceitos. Talvez as muitas horas de uma série sirvam finalmente como o veículo perfeito para os dois. E se até o desastre que é “Hemlock grove” foi renovada para uma terceira temporada, é possível que “Sense8” tenha um futuro longo o suficiente dentro do Netflix para que os irmãos finalmente saciem seus objetivos.

Assista ao Trailler:


FONTE: G1 / Pop & Arte
João Alves

João Alves

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