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Seus heróis favoritos vão mudar de cara

Após a escolhe de Tom Holland como o novo Homem-Aranha do cinema, veio as especulações de novas caras dos super-heróis, em reboot ou continuação da saga. A escolha do novo intérprete do super-herói – que segue Tobey Maguire e Andrew Garfield como o terceiro ator a assumir o aracnídeo em 13 anos – é objeto de polêmica entre os fãs mais radicais (que não digerem mais um "reboot" menos de dois anos após "O Espetacular Homem-Aranha 2") e também a primeira investida da Marvel com o personagem dentro de seu universo cinematográfico. Antes de estrear em mais um filme-solo, o Aranha faz sua "estreia" em "Capitão América: Guerra Civil", agendado para abril do ano que vem.


É a natureza da fera. Afinal, os personagens/produtos, que proliferaram em abundância no cinema com o sucesso contemporâneo dos filmes de super-heróis, são decididamente mais importantes que seus intérpretes. Na própria Marvel, Edward Norton deu lugar a Mark Ruffallo como o Incrível Hulk, Don Cheadle substituiu Terrence Howard como James Rhodes nos filmes do Homem de Ferro (e, recentemente, no segundo "Vingadores"), e personagens secundários, como o asgardiano Fandral nos filmes do Thor, trocaram de rosto – neste caso, saiu Josh Dallas e entrou Zachary Levi da primeira para a segunda aventura.

A pergunta que paira como uma sombra no gênero é, o que fazer quando os pesos-pesados tiverem de sair de cena? Sendo mais específico: como a Marvel deve proceder quando Robert Downey Jr. encerrar seu ciclo como Tony Stark, o Homem de Ferro? A tarefa não é fácil. O filme do herói de armadura, lançado em 2008, é a base de todos os filmes da Marvel no cinema, a fórmula na qual o sucesso de todo este universo se baseia. É inegável que um quinhão considerável deste sucesso é justamente o trabalho de Downey como Stark, que terminou como o centro gravitacional de quase duas dezenas de filmes, concentrados em três "fases" distintas, que encerram seu ciclo em 2019 com o lançamento de "Vingadores: A Guerra do Infinito Parte 2" – Downey certamente à frente.

No fim das contas, tudo se resume a contratos, planejamento e uma disputa de braço de ferro entre advogados. O acordo original de Downey com a Marvel previa três filmes como o Homem de Ferro (as duas primeiras aventuras, mais "Os Vingadores", de 2012). Em seguida, ele garantiu sua participação em mais dois filmes juntando todos os heróis (mas não um quarto Homem de Ferro), mas topou retomar seu papel em "Capitão América: Guerra Civil", mesmo com um crédito abaixo de Chris Evans, o protagonista do filme que está sendo rodado agora. O elenco, por sinal, é tão numeroso e tão recheado de novas caras (além de Tom Holland como o Homem-Aranha, também será a estreia de Chadwick Boseman como o Pantera Negra) que "Guerra Civil" só não é "Vingadores" no nome.

Vida que segue ou "O que James Bond faria?"
A terceira fase da Marvel, portanto, sugere que essa geração de atores pode estar dando adeus a seus personagens em breve. O problema que o estúdio tem em mãos passa por algumas soluções – algumas óbvias, outras mais radicais. Por fim, o caminho deve ser mais simples. Quando chegar o momento de Robert Downey Jr. se afastar do Homem de Ferro, dificilmente a Marvel vai fazer um "reboot" da série (o produtor Kevin Feige deixa claro em cada entrevista que é contra esse rumo em particular) ou colocar outro personagem tomando o lugar de Tony Stark como o Homem de Ferro. A saída será simplesmente encontrar outro ator para assumir o papel e continuar a série, mantendo a cronologia e toda a história tecida em mais de uma dúzia de filmes.

"O melhor caminho é o que James Bond utiliza com sucesso há mais de cinco décadas", disse Feige recentemente. É fato. Quando Sean Connery criou o espião, em "007 Contra o Satânico Dr. No", de 1962, ele criou a figura perfeita do espião idealizado no papel pelo escritor Ian Fleming. Cinco filmes depois, Connery jogou a toalha e foi substituido por George Lazemby – que durou um único filme. O retorno de Sean durou mais uma aventura, sua sexta, e Bond perdurou posteriormente com Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e, desde 2006, Daniel Craig.

Embora a tarefa de substituir Robert Downey Jr. como o Homem de Ferro hoje pareça impossível – ou Chris Evans como o Capitão América, ou Chris Hemsworth como Thor, ou mesmo Sam Jackson como Nick Fury –, o fato é que estes filmes terão continuidade em mais outras várias fases, sendo acompanhados por outros personagens da Marvel que ainda não ganharam tratamento em celuloide, com certeza interpretados por outros atores.

O processo deve ser acompanhado de perto pela Marvel do outro lado da cerca, já que a Fox, que detém os direitos para cinema dos X-Men e do Quarteto Fantástico (estes experimentando um "reboot" em agosto), tem em mãos a tarefa inglória de encontrar um substituto para Hugh Jackman no papel do mutante Wolverine. Embora ele possa aparecer em "X-Men: Apocalypse", agendado para o ano que vem, seu último trabalho como o mutante das garras de adamantium será no terceiro "Wolverine" solo, dirigido por James Mangold e marcado para estrear em 2017 – serão 17 anos e nove filmes com Jackman no papel do anti-herói canadense. Certamente outro ator tomará seu lugar, mas o novato terá de superar a simbiose perfeita de intérprete e personagem que Hugh atingiu com Wolverine.

O que nos leva de volta a Tom Holland. O ator inglês de 19 anos é mais conhecido por seu trabalho como o filho mais velho de Ewan McGregor e Naomi Watts no drama "O Impossível". Ao lado de cinco outros atores (Asa Butterfield, Judah Lewis, Matthew Lintz, Charlie Plummer e Charlie Rowe, todos com idade entre 14 e 19 anos), Holland testou para o papel com executivos da Sony e da Marvel. O martelo foi batido em 30 de maio, em Atlanta, onde "Capitão América: Guerra Civil" está sendo filmado. O próprio Robert Downey Jr. participou do teste, já que os produtores Amy Pascal e Kevin Feige queriam observar a química dos jovens com um vingador veterano. Quando a busca se resumiu a Holland e Rowe, um segundo teste foi feito em 8 de junho com Chris Evans, e Tom foi escolhido.

Embora seja incomum um ator ser escolhido para um filme sem a presença do diretor, o fato é que a vaga também estava sendo preenchida, com Kevin Feige decidindo por Jon Watts, de apenas 34 anos, que surpreendeu a plateia do Festival de Sundance há alguns meses com o thriller Cop Car. É sua a tarefa não só de conduzir o novo filme do Homem-Aranha, que estreia em 2017, como integrar o herói ao Universo Cinematográfico Marvel e lhe dar personalidade distinta da trilogia de Sam Raimi – ainda o modelo do filme de super-herói moderno – e também das duas aventuras mais recentes, dirigidas por Marc Webb.

Em alguns anos, claro, a dança das cadeiras vai continuar, já que todo herói da Marvel no cinema cedo ou tarde terá de ganhar um novo intérprete – sem o artifício de um "reboot", e sim a continuidade da cronologia iniciada em 2008 por Homem de Ferro. Para os fãs dos heróis da editora, claro, não é nenhuma novidade. Afinal, a Marvel das HQs jamais "zerou" seu universo, tecendo uma enorme, mesmo que nem sempre bem sucedida, linha cronológica que data da primeira edição de "Quarteto Fantástico", de 1961. O cinema surge como um espelho de sua origem de papel, e a troca de atores, no frigir dos ovos, será comum como a mudança da equipe criativa de um título nos gibis. Em time que está ganhando...

FONTE: Uol / Cinema
João Alves

João Alves

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