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Filme critica confusão entre real e virtual

"Sem lei de incentivo, sem verba pública, sem Globo Filmes e sem vergonha na cara", é assim que se apresenta o filme "O Maníaco do Facebook". Na história, um ex-viciado em redes sociais tenta se adaptar ao mundo após uma breve reabilitação. Mas ele começa a confundir real e virtual, dando "curtidas", cutucando pessoas, compartilhando histórias e "apagando" contatos de sua vida real.

Com participações de Werner Schünemann como um matador de aluguel e de Ricardo Macchi como uma versão em carne e osso do aplicativo Tinder, o filme é uma produção independente e foi todo gravado em Alvorada, município da região metropolitana de Porto Alegre (RS).

"Tive uma ideia um dia de que todo mundo é maníaco no Facebook, e mesmo quem não usa a rede consegue perceber isso", diz o cineasta Evandro Berlesi. "Aí escrevi essa história sobre um cara que não sabe diferenciar real e virtual", explica ele, que assina roteiro, direção e câmera da produção.

"Eu tenho um amigo que é motorista, iluminador e diretor de fotografia, e mais um que é o diretor de áudio. Essa é a equipe", conta Berlesi, explicando que o filme foi feito com um orçamento quase zero. Ou, melhor, não foi feito ainda, já que o trabalho não está finalizado.


Dificuldades

Além do roteiro inusitado, a frase que apresenta o filme mostra também o impasse que ele vive. Com as gravações já finalizadas, "O Maníaco do Facebook" tenta levantar fundos em uma plataforma de financiamento colaborativo para bancar sua edição e distribuição.

"Tem duas formas de finalizar esse filme", explica o cineasta. "A primeira é conseguir atingir a meta e pagar para um editor profissional. A outra é eu mesmo editar. Mas eu não sou editor, né. Eu sou autodidata, faço no improviso e não sei usar os programas certos. Então, é por isso que eu não queria estragar o filme, que está muito legal", lamenta.

Com exceção das participações especiais, o filme é todo feito com atores amadores ou diletantes que trabalharam de graça. Anderson Dravasie, que faz o personagem principal, é metalúrgico. "Para gravar o filme, tivemos que nos adequar aos horários dele", lembra Berlesi. "Faltou muito no trabalho, o coitado", brinca.


Cinema local

Mas o filme não é apenas mais uma produção independente. Quarto longa de Berlesi, "Maníaco" também é a 13ª produção de um projeto chamado Alvoroço, criado em 2008 com o objetivo de melhorar o cotidiano do município de quase 200 mil habitantes.

"Eu cresci vendo no jornal que Alvorada é uma das cidades mais violentas do Rio Grande do Sul", diz Berlesi. "Então eu decidi usar o cinema para mudar essa imagem. E o nosso primeiro filme ["Dá 1 Tempo", de 2008] conseguiu fazer isso ao levar 25 mil moradores para vê-lo em uma praça. Mudou as manchetes no jornal".

O sucesso do primeiro filme, feito inteiramente na e para a cidade, ajudou o Alvoroço a oferecer oficinas de cinema e atuação nas escolas municipais de Alvorada. Ao todo, foram mais de 200 moradores envolvidos nas filmagens, "desde o prefeito até o Jairo Mattos [ator alvodarense e maior celebridade local], passando até pelo mendigo da cidade", lembra Berlesi.

"Vai lá e faz"

Hoje o cineasta só lamenta que a fama local não tenha ajudado a levar para frente o projeto de manter a cidade no mapa da produção cinematográfica do país. Segundo Berlesi, "motivos políticos" impediram a continuidade do projeto e ele já não tem mais nenhum apoio institucional.

"Eu fico triste, porque a gente já fez um barulho tão grande e hoje só consegue patrocínio de supermercado, que só dá para bancar uns dias de gravação", diz. "Existem duas maneiras de fazer cinema no Brasil. Uma é gastando milhões e a outra é naquela história do 'vai lá e faz'. Eu estou tentando ir por essa via".
FONTE: Uol / Cinema
João Alves

João Alves

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