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Árvore do "The Joshua Tree" virou santuário; as curiosidades do disco do U2

Do UOL, em São Paulo

A frase é tão batida quanto oportuna: a história do U2, uma das bandas mais populares de todos os tempos, pode ser dividida em dois momentos, antes e depois de 9 de setembro de 1987. Foi nesse dia, há exatos 30 anos, que o vocalista Bono e asseclas lançaram seu clássico “The Joshua Tree”.

O álbum mais vendido do U2 transformou a história do grupo irlandês e trouxe um padrão inédito de gigantismo ao rock e à música pop. Letras despretensiosas? Shows em ginásios? Passar menos de um ano em estúdio? Tudo isso virou pó ao som de "Withor Without You" e "Where the Streets Have No Name".

A efeméride do disco é tão importante para o U2 que a banda já agendou para maio uma imensa turnê que homenageará seus 30 anos de lançamento, com shows na América do Norte e Europa. Os ingressos, claro, evaporaram.

Como todo grande fenômeno, "The Joshua Tree" guarda suas histórias e particularidades, muitas delas desconhecidas para parte dos fãs. Veja a seguir dez dessas curiosidades sobre o álbum.



Local onde foi tirada a foto da Árvore de Josué do álbum do U2 virou "santuário" para fãsImagem: Reprodução/YouTube

Álbum teve outros nomes

A ideia de Bono e companhia era mergulhar a fundo em uma “América mítica e real”, abrindo espaço para letras de políticas e de viés filosófico. Com esse preceito, o disco chegou a ter dois títulos provisórios: “The Two Americas” e “The Desert Songs”. Este último foi a deixa para o fotógrafo Anton Corbijn e o designer Steve Averill saírem à procura de desertos americanos para desenvolver uma parte fundamental para o conceito do álbum, a arte gráfica.



Árvore de Josué fotografada no deserto de MojaveImagem: Reprodução


Foto não foi tirada no parque Joshua Tree

Corbijn, diretor de um dos clipes de "Pride (In the Name of Love)", sugeriu então fotografar uma das famosas Árvores de Josué, localizadas em seu desértico parque nacional da Califórnia. Bono, religioso, gostou tanto da ideia que decidiu mudar o título do disco. O registro da planta que aparece no álbum, no entanto, foi feito no deserto de Mojave, a mais de 300 km de distância do parque. Já a imagem da capa, com os integrantes da banda, foi clicada em um terceiro local: Zabriskie Point, na região do Parque Nacional do Vale da Morte.
U2 nunca tocou "para a árvore"

Afeito a cerimônias, o U2 jamais se apresentou na região do parque da Árvore de Josué nem em nenhum deserto próximo à árvore de Mojave. Fãs até já especularam que, para lembrar os 30 anos do álbum, a banda poderia ser uma das atrações do festival Coachella, realizado na região de desertos da Califórnia. Mas isso não ocorreu. O mais próximo que os integrantes chegaram da árvore foi no US Festival, em Devore, mas isso em 1983, bem antes de "The Joshua Tree" vir ao mundo.



Imagem: Iara Harley/Reprodução

Árvore virou "santuário"

Vítima da força do vento e da secura do solo, a árvore de Mojave não existe mais como era. Ela morreu e tombou por volta de 2000. O que restou dela virou uma espécie de santuário para os fãs, que costumam depositar lembranças no local, ponto de peregrinação para os mais catedráticos. Lá, há ainda uma placa com a inscrição “Have You Found What You´re Looking For?” (você encontrou o que estava procurando?), referência à faixa clássica do disco.
África como inspiração

Bono tirou o conceito de “The Joshua Tree” de uma viagem humanitária que fez à Etiópia. A vida na África, diferente de tudo que ele conhecera até então, mudou a cabeça do vocalista. "Vendo as pessoas no fosso da pobreza, percebi um espírito muito forte no povo. Uma riqueza de espírito que não vi quando voltei para casa", disse ele em entrevista. "Enxerguei o mundo ocidental como um filho mimado e comecei a pensar: ‘Eles podem ter um 'deserto' físico, mas nós temos outros tipos de 'desertos'’.



Imagem: Reprodução


Ajudinha para escolher ordem das músicas

Amiga de Bono, a cantora inglesa Kirsty MacColl (1959-2000) ajudou o grupo a escolher a ordem das faixas quando o álbum já estava sendo mixado. A única exigência do U2 era que ele abrisse com "Where the Streets Have No Name" e fechasse com "Mothers of the Disappeared". A disposição das demais faixas surgiu da mente de Kirsty.
Mais sucesso —ainda que tardio

Hit do U2 do fim dos anos 1990, a faixa “Sweetest Thing” deveria ter entrado em “The Joshua Tree”, mas foi limada por não se encaixar na sonoridade geral do disco. Acabou saindo como lado B do single de “Where the Streets Have no Name” e, mais tarde, virando uma das favoritas dos fãs. Tanto que foi regravada para a coletânea “The Best of 1980-1990” e ganhou videoclipe.


Imagem: Reprodução

Morte de roadie inspirou música

“One Tree Hill" foi composta em memória do neozelandês Greg Carroll, roadie do U2 que se tornou um dos amigos mais próximos de Bono. Ele morreu na Irlanda um ano antes do álbum ser lançado, em um acidente de moto. A faixa, melódica e construída à base de metáforas, nasceu de uma jam session de Bono e o produtor Brian Eno. Segundo consta, o vocalista teria ficado tão emocionado com a lembrança do parceiro que conseguiu gravar os vocais apenas uma vez, sem condições de repetir a letra.
Na biblioteca do Congresso

"The Joshua Tree" foi incluído na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos em 2014 por ser "culturalmente, historicamente e esteticamente significativo". A ideia da biblioteca é preservar simbolicamente obras que considera importantes para as futuras gerações. A lista de discos do acervo inclui títulos como “The Doors”, “The Dark Side of the Moon", do Pink Floyd, e “Purple Rain”, de Prince.



Imagem: George Rose/Getty Images

Por pouco não saiu

Reza a lenda que Bono teve um ataque de pânico quando "The Joshua Tree" estava sendo prensado e entrou em contato com a Island Records para, literalmente, “pararem as máquinas”. Mas isso já não era mais possível. Ele estaria inseguro com a estética adotada e o resultado final das músicas. Para a sorte dos fãs, o disco saiu exatamente como havia sido forjado.
João Alves

João Alves

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